RESUMOS
Gritos Mudos: o contraste com o cuidado do Enfermeiro Obstetra
Diana Ferreira, RN, MSc stud | Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, EPE: UCIENP
Isabel Serra, MSc | ESEL: Departamento de Enfermagem de Saúde Materna

RESUMO
INTRODUÇÃO: A violência institucional à mulher é uma experiência marcante e negativa na vida da mulher e sua família, retirando-lhe autonomia. A normalização da violência nos serviços de saúde, contrapõe-se com a necessidade de cuidar com um profundo respeito pelos direitos humanos. A aproximação do cuidar pelos enfermeiros obstetras através do método do contraste de Watson (2012), é facilitadora para haver a distinção dos que cuidam e dos que não o fazem:
- Quem cuida tem como características mais abstratas, o facto de compreender os Outros como seres únicos, compreender os seus sentimentos e distingui-los;
- O que não cuida é, por contraste, insensível ao Outro, não distingue necessariamente uma pessoa de outra, de qualquer forma significativa.
OBJETIVOS: 1) Compreender o cuidado do enfermeiro obstetra face à violência institucional à mulher; 2) Refletir sobre a prática de enfermagem obstetra à luz do método de contraste de Watson (2012).
METODOLOGIA: Análise das notas de campo e achados da revisão scoping sobre a violência institucional à mulher, à luz do método de contraste de Watson (2012).
RESULTADOS: A violência institucional obstétrica está inserida nas práticas dos profissionais de saúde, como a episitomia e a medicalização do parto, chegando a ser reconhecida a forma naturalizada como está patente nos serviços: negar o direito ao acompanhante, comportamentos rudes, discriminatórios ou desadequados com as mulheres, inclusive aquando da expressão oral da sua dor, forçar posição de parto, intervencionismo e procedimentos não consentidos; comunicação pouco eficaz, falta de privacidade e não apresentação/acolhimento do profissional, a par de assimetrias de poder são práticas frequentes, que não cuidam. O cuidado surge com o respeito e consentimento, comunicação priorizando necessidades físicas e emocionais da mulher, a possibilidade de vocalizar e escolher a posição de parto, a criação de maternity led units, preparação para o parto, intervenções não farmacológicas e alívio de dor, o suporte contínuo e a segurança.
CONCLUSÃO: O enfermeiro obstetra ao sustentar a sua ação numa filosofia do Cuidar, pela sua relação com a mulher e posição na atenção ao parto, pode transformar esta experiência, protegendo a mulher de práticas abusivas e discriminatórias, reforçando o treino e formação dos profissionais, com enfoque na gestão emocional, e do stress, e implementação de boas práticas.
Palavras-chave: Violência, Violência contra a Mulher, Enfermeiras Obstétricas, Relações Interpessoais, Direitos Humanos.
Não são identificados conflitos de interesses.
REFERÊNCIAS
Ferreira, D. (2019) Gritos Mudos: Violência Institucional à Mulher e o Cuidar do Enfermeiro Obstetra (Relatório do Projeto de Pós-Licenciatura, não publicado). Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, Lisboa.
Watson, J. (2012). Human Caring Science – A Theory of Nursing (2nd ed.). Sudbury: Jones & Bartlett Learning, LLC.
World Health Organization (2018). WHO recommendations: Intrapartum care for a positive childbirth experience. Geneva: World Health Organization.
PARA RECORDAR…